_estrutura de chapa:
nosso colegiado
O que quer dizer “colegiado”?
Uma estrutura de chapa é o jeito como o grupo que concorre à eleição do XI se organiza. Apesar do Estatuto do XI pedir que pessoas se inscrevam conforme 10 cargos previamente definidos, a composição escolhida pelos grupos raramente é a mesma descrita no documento. Ao contrário, as chapas costumam ter composições que refletem como elas se propõem a fazer uma gestão. Alguns partidos optaram por ter secretarias, outros por ter coordenadores, alguns por fazer comissões – ora com mais apego a cargos, ora menos, e as discussões acerca disso há muito ocorrem nas Arcadas.
“Colegiado” é aquele tipo de organização que busca tanto horizontalizar a estrutura decisória quanto uma responsabilização total de todos os membros da gestão. Nesse tipo de estrutura de organização, tira-se a importância de cargos individuais, de forma que não há um presidente, um diretor-geral ou um primeiro suplente, há sim três nomes assinados num papel. Para o preenchimento desta lista, um sorteio foi feito entre aqueles que se comprometem a fazer gestão em 2009, evidenciando que dentro dessa lógica não faz sentido a figura do presidente com a qual estamos acostumados. As pessoas se organizam em comissões que, por sua vez, foram pensadas de acordo com a divisão proposta nesta carta-programa.
O Fórum da Esquerda, após 3 anos de seu nascimento, opta nesse ano por sair como colegiado. Estamos convencidos que esse tipo de organização é o melhor para a realização de nosso projeto frente ao XI de Agosto. Nosso colegiado tem motivo e foi uma escolha política fruto de muita ponderação.
Por que “colegiado”?
Muitas vezes essa escolha pode ser interpretada como imaturidade, aventureirismo ou mesmo ingenuidade. Deve-se considerar, no entanto, a seriedade que permeia a construção desse projeto – projeto este que é sustentado por um grupo de pessoas comprometidas e dispostas como nunca para estar a frente da entidade. Isso basta para uma gestão do XI de Agosto politicamente responsável.
Não é preciso um secretário-geral ou um segundo suplente para realizarmos o que estamos nos propondo com essa carta-programa. O Fórum não tem um presidente e as decisões do grupo sempre foram tomadas em colegiado e assim serão na gestão. Nossa organização prescinde de cargos para ser funcional.
Colegiado porque também vamos combater uma lógica da política acadêmica que consideramos problemática, qual seja, o nominalismo, o personalismo. Responsabilização é uma demanda de todos e é justamente o máximo da responsabilização que queremos atingir. Se numa gestão vertical (oposta ao colegiado) o presidente é aquele que mais se responsabiliza, no colegiado todos nós nos responsabilizaremos ao máximo, elevando o grau de cuidado com a entidade e com o projeto de gestão que temos.
Não votamos em pessoas, votamos em um projeto de XI que será realizado por determinadas pessoas. Propomos essa organização, pois defendemos que essa é a maneira mais adequada para a condução das pautas em que acreditamos.
Por que sortear?
Uma vez decidido que a estrutura do grupo será colegiada, é preciso preencher os dez cargos que formalmente existem em uma gestão do XI. Optamos por um sorteio geral. Todas as pessoas dispostas se inscreveram e sorteamos simultaneamente um nome e um cargo, não sendo possível escolher fazer parte do sorteio de um cargo formal e não de outro. O único ressalte é relativo à função de tesouraria, também sorteada, mas não dentre todos, mas sim dentre aqueles que se prontificaram para essa função em especial. Os tesoureiros compõem a comissão de Finanças e Orçamento Participativo.
Mas por que fazer isto? Acreditamos que os cargos são uma divisão do trabalho meramente formal e que na realidade material uma outra divisão ocorre, no nosso caso em comissões. O sorteio demonstra assim nossa desconfirmação simbólica pelos cargos, desconfirmação essa que será reproduzida em nossa campanha e em nossa gestão. O Fórum da Esquerda não tem um candidatos a presidente, secretário e diretor-geral, e, sendo assim, nossa gestão não terá um presidente, secretários ou diretores-gerais.
Isso dá certo? Como funciona?
Sim, isso dá certo. Existiram gestões colegiadas em centros acadêmicos grandes que foram bem avaliadas (como é o caso da Gestão Liberta em 2007 no CA do Direito PUC), e observando suas soluções e dilemas, temos plena consciência de que é possível realizar nossas idéias com uma gestão bem feita. Como já dissemos, no momento que tivermos que assinar o nome num papel, a pessoa sorteada assinará, e as formalidades estatutárias e jurídicas serão severamente cumpridas, mas a responsabilidade de cada decisão será coletiva.
Apresenta-se aqui nessa carta-programa uma chapa com 5 comissões: Comunicação e Cultura, Finanças e OP, Formação e Ensino Jurídico, Universidade Popular e Combate às Opressões.
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