A Casa do Estudante, local que já abrigou muitos franciscanos e franciscanas, é uma das entidades mais necessárias à nossa Faculdade. A sua essencialidade não está apenas na sua importância histórica ou no carinho que seus antigos moradores tem por ela: sua função é premente em uma Universidade Pública, sendo um elemento fundamental para a permanência de estudantes de baixa renda. É evidente que essa não é a única forma que deve ser fornecida para fazer valer a permanência, mas, com certeza, é algo indispensável para a consecução desse objetivo que, na verdade, está inserido num contexto mais amplo de direito à educação.
A defesa da Casa do Estudante já seria importante por todos os motivos acima elencados. Mas, ela se faz ainda mais importante porque estamos tratando de um modelo de administração dessa entidade que, diga-se, nem sempre foi assim. A atual administração da Casa conta com um projeto de auto-sustentabilidade do espaço, o que é fundamental para que qualquer entidade ande com suas próprias pernas. É evidente que existem ainda dificuldades, muito por conta da insuficiente verba destinada à Casa no processo de Redivisão ocorrido em 2008, mas, o atual saldo é positivo porque a execução desse projeto está em curso.
Um assunto bastante debatido na Faculdade há alguns anos é o relativo à passagem da Casa para o COSEAS (Coordenadoria de Assistência Social da USP). Em tese, não haveria nenhum problema na passagem de uma entidade nossa para a Universidade, que tem a obrigação de efetivar a permanência dos estudantes. O problema, entretanto, surge na análise da concretude: tanto o COSEAS não tem como prioridade o investimento na Casa, o que sairia muito caro dado o descaso de diretorias pretéritas além da falta de verbas, quanto os moradores dela, seus interessados diretos, não tem interesse nesse processo.
Devemos atentar também para o fato de o COSEAS estar sendo fortemente questionado pelos moradores do CRUSP (Conjunrto Residencial da Universidade de São Paulo), que chegaram a fazer uma ocupação num dos blocos residenciais. Dentre as reivindicações estão a falta de vagas; a grave tentativa de privatização do espaço de moradia para o Banco Santander; a terceirização e a precarização das condições de trabalho em órgãos admisnitrados pela Coordenadoria; e a política de vigilância em relação aos moradores, que pode ser constatada em relatórios de guardas universitários, expostos em painel em frente ao prédio ocupado, nos quais se registram atividades de moradores, controle de frequência e comunicados de ocorrências.
Uma eventual transferência não se trata de uma questão de eficiência administrativa do XI de agosto, o grande responsável por prover recursos a essa entidade, mas de uma escolha política. E, sabendo que o COSEAS não reunirá os esforços necessários para atender aos estudantes que necessitam dessa assistência, que sua política em relação à moradia estudantil está sendo frontalmente questionada pelos alunos que utilizam o CRUSP, que os moradores da Casa querem continuar a ser uma entidade do CA por serem os melhores gestores para o local em que irão viver nos próximos anos, principalmente pelas últimas boas gestões, o Fórum da Esquerda se coloca contra a transferência da Casa do Estudante para o COSEAS.
Para que esse indesejado processo ocorra são necessárias duas coisas: vontade política da gestão e Assembléia Geral para que o Estatuto seja alterado. Quanto à opinião da gestão, esperamos que eles ouçam as colocações dos alunos, inclusive as nossas, e que não deixem de considerar o posicionamento dos próprios moradores da Casa. Quanto à Assembléia, frisamos que sua realização deve ser presencial, de acordo com o Estatuto do XI: só assim é possível travar um debate democrático de ideias, pois trata-
se de um ambiente no qual todos e todas têm direito à fala e a serem ouvidos, o que possibilita que se modifique e aperfeiçoe as propostas até então apresentadas ou mesmo que se coloque uma nova solução. Além de ser uma mudança no Estatuto do XI, o que por si só já lhe confere uma importância que exige a participação direta dos alunos, trata-se do futuro de uma entidade do XI de Agosto que possibilita que muitos franciscanos e franciscanas permaneçam na Universidade de São Paulo.
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