12 junho 2009

Dias de Tensão na USP

A Universidade de São Paulo viveu na tarde desta terça-feira dia 09/06 momentos de grave tensão, violência e repressão: como não se via há décadas o campus do Butantã foi sitiado pela Tropa de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo e professores, funcionários e estudantes foram perseguidos e alvejados com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha – alguns chegando a ser presos.

A PM encontra-se no campus em grande contingente desde 1º de junho por ordem judicial pedida pela reitora Suely Vilela em razão das mobilizações de greve dos funcionários. A presença da polícia é desde o início questionada por ferir a autonomia universitária e por fomentar uma lógica de agressividade e uso da força num espaço que deveria ser por excelência democrático e de livre diálogo – a Universidade pública.

Reunidos em Assembleia Geral de mais de mil pessoas os estudantes da USP deliberam pela adesão à greve de professores e funcionários reivindicando, além da retirada permanente da PM do campus as seguintes pautas principais:


A UNIVESP

Projeto do governo do Estado é modalidade de Ensino à Distância a ser aplicada nas universidades públicas paulistas para professores da rede pública do Estado. A instalação de tal projeto importante não foi discutida ampla e democrática com os setores da Universidade e é bastante controversa; há mais vagas, mas o preço pago é grande.

A não-punição de estudantes e funcionários

A Ocupação da Reitoria de 2007 foi um marco vitorioso na defesa da autonomia universitária. Tal evento foi pacífico e mobilizou grande número de estudantes. Ao seu final a reitora assinou acordo que garantia a não-punição dos manifestantes, o que foi descumprido. Dezenas de funcionários e alunos sofrem processos administrativos e suas entidades representativas receberam multas. Reivindica-se o fim destas punições e do uso deste tipo de acuamento da manifestação política na Universidade.

Diretas pra Reitor e Fora Suely

A estrutura decisória da USP é uma das menos democráticas do país. Os alunos pouco podem opinar na escolha dos gestores da Universidade e são sub-representados em todos os órgãos de decisão. 2009 é ano de eleições para a Reitoria, quando se retomam as manifestações pela democratização da estrutura de poder da Universidade.

Suely Vilela, reitora desde 2005, autorizou a entrada da polícia neste ano e tem realizado uma gestão muito problemática em diversos eixos, apresentando um projeto de Universidade pouco democrático.

A Assembleia do dia 4 também deliberou pela organização de um ato unificada de professores, funcionários e estudantes contra a presença da PM no campus que saiu da Reitoria por volta do meio-dia seguindo para a entrada principal da Cidade Universitária na Rua Alvarenga. Ele contava com aproximadamente 1200 pessoas. Após uma manifestação pacífica e quando parte dos estudantes já havia voltado para a Reitoria, em razão de serem de unidades do interior que precisavam voltar a seus campi, aproximadamente às 17h começa um conflito entre a polícia e os manifestantes.

Em poucos instantes a Tropa de Choque dispersa o grupo em frente ao portão e com grande contingente entra no campus mediante o uso de força e violência. Há correria e perseguição e manifestantes são alcançados e presos pela polícia. Estudantes se abrigam nas unidades e são cercados pela polícia que utiliza bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. No começo da noite consegue-se negociar o recuo das tropas até a Reitoria e os estudantes em sua assembléia definem que farão ato nesta quarta-feira dia 10/06 ao meio dia em resposta a tal situação grave que se instalou na USP. A concentração está marcada para a Reitoria da USP e ele seguirá para a Avenida Paulista.

Os relatos de violência são inúmeros e os climas de medo e tensão, assim como a polícia, permanece no campus. A presença da PM, antes quieta, agora é contundente e coloca em discussão a liberdade de manifestação e organização da comunidade acadêmica. Polícia não combina com Universidade – e discussão democrática e diálogo aberto e livre não conseguem existir onde há repressão e uso da força na resolução de conflitos.

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